Iniciativas brasileiras estão entre vencedoras do Prêmio Equatorial 2017


A premiação, realizada a cada dois anos, tem em sua edição de 2017 dois homenageados brasileiros, destaques na elaboração de projetos que aliam desenvolvimento e cuidado com o planeta. As iniciativas selecionadas foram homenagadas, em Nova York

Valorizar os esforços de comunidades globais para reduzir a pobreza por meio da conservação e do uso sustentável da natureza é a proposta do Prêmio Equatorial, iniciativa do PNUD em parceria com a Equator Initiative, que contempla projetos do mundo inteiro.

As áreas de atuação incluem segurança alimentar, segurança da água, meios de subsistência de empregos sustentáveis, redução de risco de desastres, além das questões transversais de direitos terrestres e hídricos, justiça social e ambiental e igualdade de gênero.

Além de contemplar as pautas do desenvolvimento sustentável, essas organizações vencedoras geraram milhares de oportunidades de emprego e renda. Como reflexo dos seus trabalhos, centenas de comunidades lucraram com significativas melhorias. Suas ações refletiram em maior segurança alimentar e garantia de água potável, proteção a espécies ameaçadas e contribuição no fortalecimento dessas comunidades contra possíveis desastres naturais. As receitas que esses projetos geraram foram reinvestidas em inciativas que contemplam ações como formação educacional e econômica para mulheres.

O Prêmio Equatorial 2017 marca o 15º aniversário da Equator Initiative, que promove soluções de desenvolvimento sustentável locais, baseadas na defesa da natureza. Além do PNUD, são parceiros da iniciativa os governos da Alemanha, Noruega e Suécia, a Conservação Internacional, a Convenção sobre a Diversidade Biológica, EcoAgriculture, a Universidade Fordham, a União Internacional para a Conservação da Natureza, The Nature Conservancy, PCI Media Impact, Rainforest Foundation Norway, Rare, a ONU Meio Ambiente, Fundação das Nações Unidas, USAID e a Wildlife Conservation Society.

Os vencedores do Prêmio Equatorial 2017 receberão 10 mil dólares cada um e a oportunidade de enviar um representante da comunidade para participar de uma cúpula internacional, em Nova York, durante a 72ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Além disso, terão direito a homenagem na Cerimônia de Premiação, que contará com a participação de celebridades que apoiam as Nações Unidas, membros de governos e da própria ONU, da sociedade civil e dos meios de comunicação. Os vencedores se integram a uma rede de 223 comunidades de 72 países que já receberam prêmio desde 2002, ano de sua criação.

Vencedores Brasileiros

Entre as iniciativas vencedoras, duas são brasileiras: a Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa) e a Associação Terra Indígena Xingu (ATIX). Conheça um pouco mais sobre as associações:

Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa)

Localizada no coração da Floresta Amazônica, a Associação Ashaninka do Rio Amônia (Apiwtxa) utiliza o mapeamento 3D participativo, advocacia, educação e intercâmbio cultural para garantir florestas e comunidades saudáveis. Criada em 1993, a associação está localizada na Terra Kampa, região do Acre que faz fronteira com o Peru.

O mapeamento participativo 3D para demarcar e apoiar a administração autônoma dos territórios indígenas e trabalhar as pautas de luta pela terra, demarcação do território e autonomia foi a iniciativa da Associação reconhecida pelo Prêmio Equatorial 2017.

Associação Terra Indígena Xingu (ATIX)

Primeira organização comunitária a obter certificação orgânica no Brasil, a ATIX produz duas toneladas de mel orgânico certificado anualmente para gerar renda, manter uma cultura indígena ativa e promover meios de subsistência sustentáveis tradicionais nos 27.000 km² da Terra Indígena Xingu. Existente desde 1995, a associação está baseada na área do Xingu, na aldeia de Moygu, em Mato Grosso, e reúne 16 etnias.

Reivindicando a preservação da aldeia e a demarcação de suas terras, a certificação dos produtos orgânicos da Associação, realizada pelo Ministério da Agricultura brasileiro e o primeiro garantido a uma comunidade indígena, foi o projeto que os levou à premiação. O grupo também criou o selo de “Origem do Brasil”, auxiliando na exportação e divulgação do produto e na preservação das culturas e produções tradicionais.

Para mais informações, acesse o site do projeto. Doações ao Prêmio Equatorial podem ser feitas pela plataforma Digital Good do PNUD.

 

Confira a lista de vencedores

 

Grupo de Conservação de Mulheres do Santuário de Babuíno Comunitário – CBSWG, Belize, que está melhorando os meios de subsistência locais, salvaguardando as populações de vida selvagem vulneráveis.

Organização para a Defesa e Conservação Ecológica de Intag – DECOIN (Organização para a Defesa e Conservação Ecológica da Intag), Equador, que presta apoio essencial às comunidades que resistem aos interesses da mineração, conservando a biodiversidade andina e promovendo meios de subsistência alternativos.

Alianza Internacional de Reforestação – AIRES (Aliança Internacional para o Reflorestamento), Guatemala, que é uma rede de profissionais da comunidade envolvidos em reflorestamento e agrossilvicultura para segurança alimentar, redução de risco de desastres e melhores rendimentos.

Federação Tribus Pech de Honduras – FETRIPH (Federação Pech Tribal de Honduras), um projeto de compartilhamento de acesso e benefício que integra a produção sustentável de liquidambar e a gestão de terras indígenas autenticadas pelo governo.

Swayam Shikshan Prayog, Índia, que habilita as mulheres a atuar como decisoras agrícolas, melhorando sua saúde, segurança alimentar e bem-estar econômico.

Asosiasi Usaha Homestay Lokal Kabupaten Raja Ampat (Associação Local de Negócios de Homestay do Distrito de Raja Ampat), Indonésia, que criou um portal web de homestay para empregos sustentáveis através do ecoturismo.

Yayasan Planet Indonesia (Fundação Planet Indonesia), que cria pactos de conservação e empresas comunitárias que fornecem meios de subsistência sustentáveis, melhoram a resiliência local e protegem todo ecossistema.

Obschestvennyj Fond “Zhassyl Azyk” (Fundação Pública “Zhassyl Azyk”), Cazaquistão, que utiliza a produção sustentável de alfafa para restaurar a fertilidade do solo, conservar a água e melhorar os rendimentos agrícolas.

Mikoko Pamoja (Mangroves Together), Quênia, foi pioneira em pagamentos de crédito de carbono para a restauração de manguezais e está reinvestir os lucros no desenvolvimento da comunidade local.

A Associação de Conservação e Bem-Estar de Kuruwitu, no Quênia, a primeira área marítima localmente administrada no Quênia.

O Mali Elephant Project, no Mali, promove a coesão social, reduz o extremismo violento e protege uma população crítica do elefante africano ameaçado de extinção.

Organização de Conservação e Desenvolvimento da Vida Selvagem de Baltistan – BWCDO, no Paquistão, está protegendo leopardos de neve por meio de esquemas de seguro e compensação financeira contra perdas de gado após ataques com leopardo de neve.

A Conservação Florestal de Manguezais Comunitárias da Baan Bang La, Tailândia, assegurou a proteção de manguezal a longo prazo, o aumento das populações de espécies ameaçadas de extinção, o fortalecimento da resiliência aos desastres e a geração de oportunidades para pequenas empresas.

Postado por Equipe Limite Zero Em: 20/Set/2017 / Sem Comentários

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