Entrevista com a ativista Cida Aripória


Maria Aparecida Trindade, ou Cida Aripória é manauara,  Mc, pedagoga e militante, atua em várias frentes entre eles o coletivo feminino de Hip-Hop,   MARIAM ( Movimento Aripórias Ativistas de Manaus), FAVELAFRO , FPMM (Fórum Permanente das Mulheres de Manaus), FÓRUM DE MULHERES AFROAMERINDIAS e CARIBENHAS e recentemente  da FNMH2 ( Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop).

por Erica Bastos

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Sua atuação é focada principalmente nas questões raciais e  empoderamento feminino, com adolescentes das periferias manauaras, utilizando o Hip-Hop nessa luta. Um trabalho importante na capital amazonense onde configura entre as 150 cidades mais violentas do Brasil,   o número de homicídios é de 37,4 por 100 mil habitantes. São nessas circunstâncias que surge a necessidade do engajamento, principalmente trabalhando com mulheres, jovens e da periferia.

 

Sua carreira como MC, surge em 2006 através das oficinas no projeto “Periferia Ativa”, onde um grupo de jovens adolescentes lideravam e aprendiam ao mesmo tempo uma com as outras, baseado na troca de experiências mesmo, seu primeiro grupo de rap foi a AMK junto com sua parceira Camila e mais quatro integrantes. Logo Cida percebe que o papel destinado às mulheres era muito pequeno, a posição nunca era de destaque, a partir daí sentiu a necessidade de montar seu próprio grupo o Epolam Aripória, “três mulheres ocupando o espaço de liderança e usando as roupas que queríamos sem ninguém determinar o que eu deveria usar,  daí pra frente não parei mais de cantar rap, e foram surgindo  outras mulheres no rap, montando seus grupos como Conexão Maria e Negonas Mc’s”, acrescenta Cida.

 

Fale um pouco sobre sua militância

Faço parte do coletivo feminino de hip-hop  MARIAM ( Movimento Aripórias Ativistas de Manaus), FAVELAFRO , FPMM (Fórum Permanente das Mulheres de Manaus), FÓRUM DE MULHERES AFROAMERINDIAS e CARIBENHAS e recentemente  da FNMH2 ( Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop).  Natural de Manaus,  realizo ações de politicas públicas junto a esses coletivos focando as questões raciais, sexualidade, empoderamento feminino e hip-hop, com meninas, adolescentes e jovens das periferias manauaras, fomentando a participação de mulheres na cultura hip-hop, através de workshops, oficinas e eventos, homenagem recebida duas vezes pela contribuição na luta da promoção da igualdade racial e de gênero no estado do Amazonas.

 

Como o Hip-Hop  surgiu em sua vida?

Estou no Hip-Hop há 13 anos, a cultura hip-hop manauara nasceu por volta da década de 1980 através da dança e foi se expandindo pelos bairros da cidade. No ano de 2003 em especial no bairro do Mutirão, onde resido desde 1991, localizado na zona norte, periferia e considerada a zona  mais populosa segundo os dados do IBGE de 2011, nos encontrávamos  no centro social ARAR  para escutar uns sons, fazer rodas de conversas, ver o break  e ensaiar as primeiras letras de rap. Em 2006 fundamos o projeto sociocultural chamado Periferia Ativa onde era “misto”( homem e mulher)  trabalhando  juntos pra difusão da cultura hip-hop manauara.

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E como foi? Já que o Rap sempre foi um ambiente mais masculinizado.

O Hip-Hop sempre foi dominado por homens, as mulheres não tinham visibilidade como protagonistas de suas atividades relacionadas aos elementos da cultura, mesmo assim antes de mim já tinham mulheres que resistiam como o grupo  Minas de Fé  e Classe E,  dando sua contribuição  no rap e várias outras no break, no grafitti, o elemento “ dj mulher” naquela  época, em 2006, não tinha, era difícil aqui na nossa cidade. Aliás eram poucas mulheres  E isso me incomodava bastante. Em 2006 através das oficinas no projeto periferia ativa ao qual liderávamos e aprendíamos ao mesmo tempo umas com outras, o primeiro grupo de rap a qual iniciei foi o AMK onde tinha 04 homens e apenas eu e mais uma parceira irmã aliada Camila. O despertar pra ser uma mc mulher verdadeiramente  representando a força feminina no rap, foi quando vi que as mulheres não ocupavam os papéis principais por exemplo de liderar um grupo de rap, muitas das vezes

 

E com tantas atividades como está seu trabalho hoje?

Hoje sigo com participações, meio que dei um tempo com apresentações de rap, pois comecei a ocupar  um outro espaço na vida que foi a academia que eu pensava que isso era coisa pra gente rica, e percebi que eu também posso. Claro vale ressaltar que adentrei a esse universo acadêmico através de bolsas e hoje sou pedagoga mais tenho varias participações em músicas dos grupos de rap local, e integro ao grupo de rap CONEXÃO ZONA NORTE onde tem homens, pois sei que ainda há homens que valorizam o nosso trabalho e correm junto, fazendo um comparativo aos anos de 03 e 06 algumas coisas MELHORARAM com relação ao rap e tenho o devido respeito e reconhecimento  como mc. Atualmente trabalho com Hip-Hop (rap e empoderamento de mulheres) e educação dentro das unidades socioeducativas com menores de ambos os sexos.

 

Como você, uma manauara enxerga o rap feminino hoje?

O número de mulheres dentro do hip-hop aumentou consideravelmente, as  mulheres cada vez mais estão se profissionalizando, quanto a seus elementos e lutas , tendo destaque, inovando e crescendo, para mim nada mais que justo, pois temos que estar paralelamente, nada de estarmos atrás, “nos calaram durante anos agora esse silêncio só nos serve quando apertamos o delete nos machistas ” sabemos que muitas das vezes a caminhada pra nós sempre é mais difícil, quando o assunto é os filhos por parte dos companheiros que não colaboram e temos que nos dividir em muitas, aí acabamos desistindo ou parando por um tempo, mas até nesse contexto as mulheres se ajudam criando espaços paras crianças e revezando nos cuidados, para que as mesmas sintam-se apoiadas e possam estar participando também. JUNTAS  SOMOS MAIS FORTES!

 

Postado por Equipe Limite Zero Em: 01/Mar/2016 / 11 Comentários

11 idéias em “Entrevista com a ativista Cida Aripória”

  1. meire diz:

    Parabens Cida por sua caminhada se empoderando e empoderando mulheres…
    Att. MEIRE D’origem

    1. Cida Ariporia diz:

      Obrigada Guerreira Meire de origem, se hj estou aqui é pq vcs inclusive vc veio antes caminhando para que nós nos empoderasse mais e mais .. vlw

    2. Cléia Alves diz:

      Amiga,irmã, parceira fico feliz pela sua caminhada e luta.Parabéns e seguimos na luta!

  2. Deborah Erê diz:

    Parabéns mana guerreira Cida Ariporia! Dá-le!

  3. Leonardo Gomes diz:

    Parabéns pelo trampo, sucesso nos corris

  4. Marilac diz:

    Parabéns guerreira! #juntassomosmaisfortes

  5. Gilza Batista diz:

    Parabéns mulher guerreira, ocupando seu espaço. A luta!!!!!

  6. leonardo farias MNLM-AM diz:

    Valeu pela sua dedicação e luta em prol de uma causa necessaria as Mulheres do Amazonas..parabens..

  7. ArletecAnchieta diz:

    Parabens Cida. Comtinue firme. Voce é importante para o Movimento.

  8. Rafael Guimarães diz:

    Parabéns amiga guerreira, mulher de pulso firme e atitudes significantes. Sua luta pela igualdade de sexo não é em vão!!!

  9. Taly Nayandra diz:

    Mulheres que não se contetam com esse sistema, portanto com a ordem por ele estabelecida, vão a LUTA e se tornam exemplo para muitas outras mulheres, seja pela sua música e por sua militância em prol da classe trabalhadora e pobre, pois conhecem a realidade da periferia na própria pele. Resistência e firmeza na luta minha amiga Cida! 🙂

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