Bolsa Permanência amplia alcance em áreas quilombolas


O Programa Bolsa Permanência (PBP), do governo federal, vem se concretizando como uma importante ferramenta para viabilizar a presença no ensino superior de estudantes residentes em comunidades remanescentes de quilombos

Em 2017, 109 quilombolas, número recorde, foram contemplados pelo programa, que prevê o repasse mensal de R$ 900 para que os beneficiados possam viabilizar seus estudos em universidades federais. O recurso é pago diretamente ao estudante de graduação por meio de um cartão de benefício.

Desde 2014, o programa contemplou 321 estudantes quilombolas. No primeiro ano, foram 40 benefícios concedidos. Em 2015, foram 73 e, em 2016, 99 estudantes beneficiados, o que mostra um crescimento constante até os 109 do ano passado. A Fundação Cultural Palmares (FCP), instituição vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), é responsável pelo recebimento das solicitações dos quilombolas e por emitir uma certidão que atesta a participação dos estudantes.

Moradora da comunidade quilombola Angelim II, próximo ao município de Conceição da Barra, no Espírito Santo, Delcina Souza cursa o quarto semestre do curso Educação do Campo, na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). Delcina é a primeira pessoa de sua comunidade que largou trabalho no campo para ingressar no ensino universitário. “Sem o programa, eu jamais teria condições de cursar uma universidade. A bolsa foi essencial para que eu pudesse largar o trabalho na lavoura e me dedicar a um curso que requer muito dos alunos. Passo a semana inteira no município vizinho, em São Mateus, estudando. E no final de semana volto para a comunidade. O auxílio financeiro que recebo me vai me ajudar até a conclusão do curso, que é de quatro anos”, destacou.

Originária da Comunidade Quilombola Morro de São João, em Santa Rosa do Tocantins (TO), Nadiny Gama cursa Ciências Econômicas na Universidade Federal do Tocantins (UFT). A estudante afirma que, sem a Bolsa Permanência, não seria possível se manter na universidade. “A bolsa me ajuda com pagamento de aluguel, luz, água, transporte, cópias de material da universidade. É uma ajuda de extrema importância para que eu possa estudar e crescer na vida”, afirma Nadiny.

“A Bolsa Permanência é um instrumento fundamental para promover a mobilidade social das pessoas que vivem nas comunidades remanescentes de quilombos, dando a elas o acesso ao ensino superior. Precisamos estender esse benefício a cada vez mais pessoas. Para o futuro, será importante discutir sobre como ampliar esse programa para as universidades estaduais e privadas”, destaca o presidente da Fundação Cultural Palmares, Erivaldo Oliveira.

Como participar

Para se candidatar ao benefício, o interessado precisa fazer uma declaração se autoafirmando como quilombola. Além disso, necessita de um documento assinado por três lideranças de sua comunidade reconhecendo sua origem; da cópia do Cadastro de Pessoa Física (CPF) e de um comprovante de residência. Informações podem ser obtidas pelo e-mail quilombo@palmares.gov.br e pelo telefone (61) 3424-0101.

Postado por Equipe Limite Zero Em: 26/Fev/2018 / Sem Comentários

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