4º Conferência Estadual de Políticas de Promoção de Igualdade Racial do Estado de São Paulo, com o lema Reconhecimento, Desenvolvimento, Discriminação e Justiça


O grande destaque do evento foi a multiplicidade, a diversidade de presenças e propostas, a Conferência já se iniciou vitoriosa pela capacidade de agregar um leque amplo de movimentos em prol da promoção da igualdade racial

Estiveram na mesa de abertura do evento Elisa Lucas, Coordenadora de Políticas para População Negra e Indígena do Governo do Estado de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, Secretario da Justiça e da Cidadania do Governo do Estado de São Paulo, Cintia Neli da Silva Inácio, representante da sociedade civil e componente da comissão organizadora, David Fernando Martim, de nome indígena karai Popygua, do Conselho Estadual dos Povos Indígenas – SEPPIR, Leci Brandão (PC do B), deputada estadual e Ivan Lima, presidente do Conselho Estadual.

O evento ocorreu no Palácio dos Bandeirantes e mobilizou militantes de todo o Estado de SP. A partir da Conferência serão eleitos delegados para a etapa nacional e a elaboração de políticas públicas em prol da igualdade racial. A Conferência demonstrou a força da militância ao preencher o Palácio dos Bandeirantes com movimentos organizados em prol da igualdade de gênero, da diversidade sexual, dos quilombos, das religiões afro, da luta das populações indígenas, das mulheres negras e das Casas de Terreiro.

Elisa Lucas, que é Coordenadora de Políticas para População Negra e Indígena do Governo do Estado de São Paulo, tem papel proeminente na articulação da Conferência e durante discurso no evento resgatou as ações políticas do Governo do Estado de São Paulo voltadas para a promoção da igualdade racial. Apontou ainda que a Conferência é momento decisivo para se conferir as políticas públicas já executadas e poder projetar as que irão se elaborar. “Precisamos sair daqui com resultados, somos fortes e unidos”, destacou Elisa Lucas.

A artista popular e deputada estadual, Leci Brandão, agitou o plenário da 4º Conferência em discurso, afirmando: “Eu sou da quebrada do Brasil!”. Sobre a situação política do país conclamou as pessoas a reagir perante este momento de crise, “estamos anestesiados, estamos dormindo, nosso país está uma bagunça, nós precisamos ter protagonismo”. Ao final de seu discurso leu texto especial para as mulheres negras, onde declarou: “Nós estamos vivas porque somos corajosas, nós ocuparemos os espaços de poder deste país, viva a igualdade!!”.

Em um dos momentos mais emocionantes da Conferência o membro do Conselho Estadual dos Povos Indígenas, David Fernando Martim, de nome indígena karai Popygua, da aldeia Tekoa Guarani – situada na zona noroeste da cidade de SP – pediu um minuto de silêncio em respeito a morte violenta, por espancamento, do líder comunitário indígena e Professor Marcondes Namblá que foi morto neste dia 2 de janeiro de 2018. Karai Popygua destacou em discurso seu incômodo em estar no Palácio dos Bandeirantes, em que lamentou que o mesmo espírito de destruição presente nos movimentos dos bandeirantes ainda permaneça vivo hoje, declarando que “os povos desrespeitaram nossas terras e ainda hoje continuam desrespeitando o nosso direito, o pouco de Mata Atlântica que ainda existe, nós e os quilombolas lutamos com a vida para preservar”.

Foram realizadas etapas regionais em 16 regiões administrativas: capital, Campinas, Barretos, Osasco, Sorocaba, Grande ABC, Vale do Paraíba e litoral Norte, Marília e Bauru, Ribeirão Preto e Franca, Guarulhos e região, Baixada Santista, São José do Rio Preto, Jundiaí, Araraquara e São Carlos, Alto do Tietê, Presidente Prudente, Araçatuba e Vale do Ribeira.

A IV Conferência Nacional de Promoção de Igualdade Racial será realizada em Brasília, Distrito Federal, no segundo trimestre de 2018.

No Estado de São Paulo, o combate à discriminação racial é reforçado pelo programa São Paulo Contra o Racismo, que contempla ações contínuas para conscientizar a população de que qualquer forma de discriminação é crime. O Estado tem a Lei 14.187/10 que pune administrativamente a discriminação por raça ou cor.

 

Fonte: Portal Áfricas

Postado por Equipe Limite Zero Em: 15/Jan/2018 / Sem Comentários

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